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PSA no rastreamento do Câncer de Próstata

Introdução ao Caso

Paciente do sexo masculino, 47 anos, leucoderma, em consulta de rotina com seu clínico, manifesta o desejo de realizar exames para afastar a possibilidade de câncer de próstata, pois tem casos deste tumor na família. Assintomático do ponto de vista urológico e demais sistemas. Pratica esportes com regularidade e mantém dieta equilibrada. Não faz uso contínuo de qualquer medicação, etilista social e sem relato de tabagismo. História familiar: pai hipertenso, dois tios maternos com passado de câncer de próstata. Exame clínico: PA: 120/80 mm/Hg; FC: 82 bpm; IMC: 26. Ausculta cardíaca normal. Abdome sem alterações. Pele normal e fâneros sem alterações. Tireoide não palpável.

   

1) Diante desse perfil clínico, qual a conduta mais recomendada a ser adotada pelo médico assistente?

Realizar o exame do toque retal e solicitar dosagem sérica de PSA e programar a repetição anual do rastreamento.

Esclarecer o paciente sobre os atuais questionamentos referentes ao rastreamento para detecção do câncer de próstata, antes de definir a conduta.

Solicitar dosagem de PSA e ultrassonografia transretal.

Informar ao paciente que não há indicação para realizar exames no momento.

Uma ou mais questões não foram respondidas. Para dar continuidade responda todas as questões.

Discussão do Caso

O câncer de próstata (CP) é o sexto tipo mais comum mundialmente e o mais prevalente em homens, correspondendo a aproximadamente 10% da totalidade de cânceres. É considerado um tumor da terceira idade, mais que qualquer outro, já que cerca de três quartos dos casos no mundo ocorrem a partir dos 65 anos.

No Brasil, o CP é o segundo mais comum entre os homens, perdendo apenas para o câncer de pele não-melanoma, sendo estimado mais de 60.000 novos casos em 2012. O aumento observado nas taxas de incidência no nosso país pode ser explicado, em parte, pela evolução dos métodos diagnósticos, pela melhoria na qualidade dos sistemas de informação do país e pelo aumento na expectativa de vida.

Existem dados convincentes de que programas de rastreamento baseados no PSA resultam na detecção de muitos casos de CP assintomáticos. Há também evidências de que um grande percentual de homens que têm câncer assintomático, detectado pelo exame de PSA, possui tumores que não vão progredir, ou que o farão tão lentamente que permanecerão assintomáticos por toda vida. Portanto, o rastreamento em massa não é recomendado porque se associa a danos consideráveis, tais como biópsias desnecessárias, sobrediagnóstico, e tratamentos que podem levar a sequelas como disfunções sexuais, urinárias e intestinais.

Até o momento, não há evidências científicas de que o rastreamento do CP possa produzir mais benefício que dano. Por outro lado, a estratificação dos pacientes em relação ao risco de CP e agressividade poderá ser útil para identificar os homens que estão em risco e que irão realmente se beneficiar da detecção precoce.

É fundamental que os homens candidatos à triagem para o câncer de próstata sejam informados sobre os potenciais benefícios e riscos e que participem desta decisão junto com seus médicos assistentes.

Para saber mais faça o download da revisão disponível nesta página.