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Rinossinusites

Introdução ao Caso

Jovem de 26 anos, motoboy, comparece ao Pronto Atendimento queixando-se de obstrução nasal bilateral, cefaleia frontal em peso e febre há cerca de cinco dias. Mostrava-se extremamente agitado e preocupado com a intensidade dos sintomas, que persistiam apesar do uso de paracetamol. Referia sintomas iniciais de odinofagia leve e coriza intensa, que regrediram no segundo dia dos sintomas, evoluindo com secreção nasal catarral clara, tosse seca e artralgia nos dedos das mãos. Negava sintomas prévios de rinopatia alérgica. Ao exame: cavidade oral de aspecto normal, com discreto muco em orofaringe de cor clara, cavidades nasais, observadas com a luz do otoscópio, obstruídas por hipertrofia dos cornetos nasais e muco claro, PA: 120X80 e temperatura axilar de 37,4ºC. Foi liberado para sua residência medicado com dipirona e solução salina intranasal.

1) Diante do caso relatado podemos afirmar que:

Trata-se de um quadro viral de vias aéreas superiores, porém, como o quadro clínico sugere sinusite em curso, o plantonista deveria ter solicitado um Rx de seios da face para avaliação da mesma.

Devido à intensidade da cefaleia, deveria ter sido solicitada TC de seios da face antes da alta do paciente

No caso em questão, o RX e a TC de seios da face são dispensáveis, mas o paciente se beneficiaria com a prescrição de analgésico, prednisolona oral e vasoconstritor tópico.

O Rx ou a TC são dispensáveis, mas deveriam ter sido prescritos amoxicilina por dez dias e descongestionante oral.

O RX de seios da face é dispensável, mas há indicação do uso de amoxicilina, anti-inflamatório não hormonal e corticóide nasal

Uma ou mais questões não foram respondidas. Para dar continuidade responda todas as questões.

Discussão do Caso

O Rx simples é uma técnica cada vez menos valorizada pelos especialistas. Nos casos agudos, é dispensável visto que a história clínica e o exame físico são suficientes para o diagnóstico.

Trata-se de exame inespecífico que não consegue diferenciar quadros agudos ou crônicos. Entretanto, vem sendo solicitado de forma ampla, onerando os sistemas de saúde.

A Tomografia computadorizada (TC) também não é utilizada no diagnóstico inicial de rinossinusite aguda.

Deve ser considerada em doenças graves e em pacientes imunossuprimidos na vigência de complicações e, para o planejamento cirúrgico. É importante ressaltar, que o exame deve ser solicitado preferencialmente, fora da fase aguda da doença (exceto na suspeita de complicações).

A cefaleia ou dor facial, apesar de frequente, não é específica para o diagnóstico de sinusite. A presença de cefaleia em quadros febris pode ser fator de confusão diagnóstica. Neste contexto, pelo sintoma, o Rx de seios da face não é justificável.

Quanto ao tratamento, frente às infecções de origem viral, o objetivo é minimizar os sintomas de obstrução nasal e rinorreia. Os descongestionantes sistêmicos orais muitas vezes são utilizados na intenção de diminuir o edema e facilitar a drenagem de secreções. Faltam evidências que comprovem alguma eficácia. Os descongestionantes sistêmicos devem ser evitados principalmente em pacientes com doença cardiovascular, hipertensão e com hipertrofia prostática benigna. Nos quadros catarrais, não são recomendados, pois podem interferir na qualidade das secreções nasais, dificultando seu clareamento, bem como intensificar os quadros de tosse

O descongestionante nasal de uso tópico tem utilidade controversa, mas pode ser prescrito como sintomático, desde que não seja por mais de quatro dias consecutivos, pelo risco de congestão nasal rebote.

Recomenda-se, quando necessário, o uso do corticoide oral em crianças e em pacientes adultos com rinossinusites bacterianas desde que não apresentem contraindicações para seu uso. Este se mostra mais eficaz quando comparado ao corticoide intranasal, e muito mais seguro do que os anti-inflamatórios não hormonais, principalmente nos pacientes asmáticos.

O uso de anti-inflamatórios não hormonais também não é recomendado, estes devem ser prescritos cautela, associados ou não aos antibióticos, devido aos possíveis efeitos colaterais principalmente em pacientes asmáticos. Estudos demonstraram que não reduzem o escore geral de sintomas dos pacientes com resfriado comum, e nem o tempo de duração dessa condição, apesar de sua boa ação no alívio dos sintomas como cefaleia, otalgia, dor muscular e articular.

Antibióticos estão indicados apenas em situações que sugerem infecção bacteriana: sintomas que persistem por mais de 10 dias, sem melhora clínica aparente; sintomas intensos que incluem febre com temperatura >38°C associada à rinorreia purulenta ou dor facial e com duração de pelo menos três dias, no início do quadro; piora clínica conforme os sintomas descritos e que ocorrem após um quadro nitidamente viral que evoluía com melhora. A administração de antibióticos na fase viral traz pouco ou nenhum benefício e aumenta a chance de eventos adversos.