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Osteoporose no Homem

Introdução ao Caso

Senhor de 73 anos, diabético tipo 2 com retinopatia diabética e consequente diminuição da acuidade visual, portador de doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), com história prévia de infarto agudo do miocárdio, submetido à cirurgia de revascularização miocárdica em 2017. Em uso de insulina NPH associada com regular, furosemida, AAS, metoprolol, artovastatina, amlodipino, fluticasona + salmeterol. Relata instabilidade de marcha e duas quedas no último ano. Ao exame: peso 90 kg, altura 175 cm, bom estado geral, ritmo cardíaco regular, FC 65 bpm, PA 140X90mmHg, eupneico, sons respiratórios difusamente diminuídos.

1) Considerando o caso descrito, todos os fatores de risco abaixo podem estar relacionados a osteoporose no homem, exceto:

Diabetes Mellitus

Doença coronariana

Doença pulmonar obstrutiva crônica

Idade

2) As recomendações que poderiam ser dadas a esse paciente com o objetivo de diminuir o risco de fratura osteoporótica: I. Exercícios de fortalecimento e melhora do equilíbrio. II. Orientação nutricional. III. Medidas de segurança ambiental. IV. Suspensão de medicamentos anti-hipertensivos. Assinale quais recomendações são verdadeiras:

I e III

I, II e IV

I, II e III

I, II, III e IV

3) Diante da história de instabilidade postural e de quedas frequentes, o paciente foi encaminhado para o fisioterapeuta com o objetivo de realizar exercícios para melhorar o equilíbrio. Compareceu a apenas uma sessão fisioterápica. Durante o seu acompanhamento médico com endocrinologista, cardiologista, ortopedista, urologista e geriatra, não foi solicitada densitometria óssea para investigação de osteoporose, nem utilizadas ferramentas para estimar o risco de fraturas, como o FRAX. Após seis meses do encaminhamento para fisioterapia, sofreu queda da própria altura e fraturou o fêmur. Diante do evento fratura de fêmur nesse caso, qual tratamento farmacológico seria a primeira escolha?

Teriparatida

Bifosfonato

Testosterona

Denosumabe

Uma ou mais questões não foram respondidas. Para dar continuidade responda todas as questões.

Discussão do Caso

Análise das Respostas:

Questão 1. Resposta correta letra b.

Há vários fatores de risco para a osteoporose em homens. O envelhecimento é um deles. Nos homens, há uma diminuição mais gradual do nível dos esteroides sexuais, em comparação com as mulheres e, assim, a osteoporose tende a ocorrer mais tardiamente – tipicamente, após os 70 anos de idade. Outros fatores relacionados à osteoporose em homens são consumo excessivo de álcool (mais de duas doses por dia), tabagismo, má nutrição, imobilização, uso prolongado de glicocorticoides e anticonvulsivantes e várias doenças crônicas, como o DPOC e a diabetes mellitus.

Questão 2. Resposta correta letra c.

As quedas são responsáveis por 90% do número de fraturas de quadril. Assim, é crucial diminuir o seu risco por meio da correção de distúrbios visuais e auditivos, implementação de medidas de segurança ambiental, prescrição de exercícios para melhora do equilíbrio e da força, incentivo de atividade física regular e revisão de medicamentos psicoativos.

Questão 3. Resposta correta letra b.

A eficácia medicamentosa na prevenção de fraturas por fragilidade foi estudada, sobretudo, nas mulheres na pós-menopausa. Os estudos em homens tendem a ser menores e consideram como desfecho primário não as fraturas, mas mudanças na densidade mineral óssea e em marcadores do turnover ósseo.

Os medicamentos aprovados no Brasil para o tratamento da osteoporose em homens são os bifosfonatos (risedronato, alendronato, ácido zoledrônico), o denosumabe e a teriparatida. Nos candidatos à terapia farmacológica, os bifosfonatos são os medicamentos de primeira linha devido a sua eficácia em diminuir o risco de fraturas vertebrais e não vertebrais, seu custo favorável, disponibilidade e informações existentes sobre a sua segurança em longo prazo. Não há evidências de que a administração de testosterona esteja relacionada à redução do risco de fraturas por fragilidade óssea; assim como o denosumabe e a teriparatida ainda não demonstraram, em estudos clínicos fase III, reduzirem o risco de fraturas por fragilidade.