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Dermatite Atópica: Revisão do Manejo Clínico

Introdução ao Caso

Criança de um ano de idade, sexo masculino, apresentando erupções tipo “bolinhas” em várias partes do corpo, pruriginosas, que deixam manchas brancas, desde os três meses de idade. As lesões estão aumentando em número.   Fez uso de dexametasona pomada com melhora parcial, mas  houve recidiva das lesões após sua suspensão. Uso contínuo de dextroclorofeniramina, via oral, há sete meses e aplicação irregular de creme hidratante.

HP: PNTH PN= 3.660g. IGE= 41 semanas. Apgar 1’= 9 e 5’= 10.Vacinação em dia. Com bom crescimento e desenvolvimento.

HF: mãe de 25 anos, G2A0P2, saudável. Pai 25 anos, saudável. Nega consanguinidade. Irmão de cinco anos de idade com asma.

 

Exame: peso= 11.400 kg Est= 74 cm

Ao exame observam-se ressecamento leve e difuso da pele, áreas de eritema e descamação em fossas cubitais e poplíteas, pápulas eritematodescamativas, agrupadas, com configurações arciformes em dorso e membros inferiores. Há máculas hipocrômicas irregulares, levemente descamativas em face e tronco e descamação fina em todo o couro cabeludo.

1) Em relação ao caso clínico apresentado, é correto afirmar:

A descamação em couro cabeludo é um sinal que permite o diagnóstico de dermatite seborreica

A ocorrência do prurido, localização das lesões e a evolução crônica permitem o diagnóstico de dermatite atópica

A dosagem de IgE é fundamental para confirmar o diagnóstico de dermatite atópica

O uso de anti-histamínicos orais é essencial para o controle do prurido na dermatite atópica

2) Em relação ao tratamento do paciente, pode-se afirmar, exceto:

O princípio básico do tratamento da dermatite atópica é o uso de hidratante tópico

O tacrolimus 0,03% é a primeira opção de tratamento para os pacientes com dermatite atópica nessa faixa etária, por não causar os efeitos colaterais dos corticosteroides tópicos

O uso de sabonetes para higienização da pele deve ser limitado, dando-se preferência aos sabonetes menos abrasivos

A escolha do corticosteroide tópico a ser utilizado deve ser criteriosa, levando-se em consideração a idade do paciente, a localização, a extensão e o tipo de lesão a ser tratada

Uma ou mais questões não foram respondidas. Para dar continuidade responda todas as questões.

Discussão do Caso

Resposta 1:

A ocorrência do prurido, localização das lesões e a evolução crônica permitem o diagnóstico de dermatite atópica.

A descamação em couro cabeludo, apesar de frequente na dermatite seborreica, não é exclusiva dessa condição. Além disso, na dermatite seborreica o prurido é leve ou ausente, sua prevalência é bem menor na faixa etária de um ano de idade e a distribuição das lesões não é característica dessa condição. O prurido, a localização das lesões e a evolução crônica permitem o diagnóstico de dermatite atópica.

Não está recomendada, rotineiramente, a dosagem de IgE para o diagnóstico, pois existem situações de dermatite atópica extensa e com IgE normal. A eficácia dos anti-histamínicos orais para o controle do prurido não está bem estabelecida, sendo indicados somente em pacientes selecionados que apresentam DA em associação com rinoconjuntivite ou urticária ou quando utilizados como sedantes em pacientes com distúrbio de sono

Resposta 2:

O tacrolimus 0,03% é a primeira opção de tratamento para os pacientes com dermatite atópica nessa faixa etária, por não causar os efeitos colaterais dos corticosteroides tópicos.

O princípio básico do tratamento da dermatite atópica é o uso do hidratante tópico. O tacrolimus não é a primeira opção no tratamento da dermatite atópica e seu uso está liberado para crianças acima de dois anos de idade. A higienização da pele deve ser realizada com sabonetes não abrasivos. A opção pela terapia com corticosteroide tópico deve considerar a idade do paciente, a localização, a extensão e o tipo da lesão a ser tratada.

Dermatite Atopica