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Avaliação Nutricional do Paciente Hospitalizado

Introdução ao Caso

Paciente J.R.A., masculino, 52 anos, hígido até seis meses atrás, quando iniciou com alterações de hábito intestinal, com períodos de diarreia e constipação. Foi hospitalizado após o diagnóstico de câncer de sigmoide para tratamento cirúrgico. Relata que não mudou a ingesta alimentar, mantendo o mesmo padrão quanto ao tipo e à quantidade de alimentos, mas perdeu 4 kg nesse período. Tinha 80 kg antes do início dos sintomas. Apesar do emagrecimento, conseguiu manter a mesma carga de trabalho, assim como todas as atividades físicas habituais. Porém, no último mês antes da internação, recuperou 2 kg do total perdido com “hiperalimentação”, permanecendo estável nas duas últimas semanas, com 78 kg. Ao exame físico, não havia sinais de perda de massa muscular ou de tecido subcutâneo, assim como sinais de edema.

1) Em relação a esse paciente, podemos afirmar:

Não há informações suficientes para qualquer consideração ou diagnóstico nutricional.

Trata-se de paciente em risco nutricional, mas, para o diagnóstico de desnutrição, é fundamental a constatação de hipoalbuminemia.

Pode-se afirmar que o paciente está nutrido, independentemente de qualquer alteração laboratorial que possa apresentar.

O paciente é um desnutrido grave.

2) É correto afirmar:

O diagnóstico de câncer de intestino já identifica o paciente como desnutrido.

Não é possível fazer diagnóstico nutricional, pois a falta do dado da estatura do paciente impossibilita o cálculo do IMC, essencial para o diagnóstico nutricional.

Apesar de ser classificado como nutrido, por meio da avaliação nutricional, foi possível realizar o diagnóstico nutricional e definir a melhor conduta a ser adotada.

Podemos fazer diagnóstico de desnutrição leve, pois o paciente teve perda total de menos de 10% do seu peso corporal.

Uma ou mais questões não foram respondidas. Para dar continuidade responda todas as questões.

Discussão do Caso

A desnutrição é definida como uma síndrome caracterizada por déficit nutricional. Tem alta prevalência no ambiente hospitalar e pode atingir até 50% dos pacientes hospitalizados. A doença e seu estado hipermetabólico associado são a principal causa da desnutrição. Sintomas do trato gastrointestinal persistentes, baixa ingesta, efeitos colaterais de medicamentos, falta de protocolos nas Instituições e desconhecimento por parte dos médicos contribuem para manter o processo de desnutrição nos pacientes hospitalizados.

Como a maioria das doenças, o diagnóstico da desnutrição é eminentemente clínico. Com base no conceito de que a desnutrição é inicialmente uma alteração funcional, provocada pela falta relativa ou absoluta de nutrientes celulares, a antropometria e os exames laboratoriais podem não mostrar qualquer alteração, mesmo com o processo de desnutrição já iniciado. Esperar por alterações de peso e outras antropométricas pode retardar o diagnóstico. As conseqüências decorrentes da desnutrição são multissistêmicas, como aumento de morbimortalidade, maior tempo de hospitalização e custos assistenciais elevados. Dessa forma, os profissionais de saúde devem estar capacitados para identificar os pacientes em risco de desnutrição, diagnosticar aqueles desnutridos e aptos a adotar as intervenções necessárias e oportunas.