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2015 – Vacinação em prematuro, criança e adolescente

Introdução ao Caso

CASO CLÍNICO – PREMATURO: Prematuro de 32 semanas de gestação, nascido no mês de julho de 2014, filho de mãe com história de descolamento prematuro da placenta, esteve internado em UTI neonatal pelo período de 45 dias, devido à síndrome do desconforto respiratório. Ao nascimento pesava 1300 gramas e media 42 cm. A mãe realizou pré-natal comparecendo a todas as consultas, com esquema de vacinação adequado para gestante. Apresentou exame HBsAg não reagente durante o pré-natal. Atualmente a criança está com 2 meses de vida, pesando 2kg, em aleitamento materno exclusivo e não apresenta nenhuma alteração ao exame clínico. Não foi realizado nenhum tipo de vacinação na criança até o momento. CASO CLÍNICO – CRIANÇA: No ano de 2013, o Ministério da Saúde introduziu nas unidades de saúde pública a vacina varicela. Uma mãe comparece à consulta no ambulatório da UNIMED-BH informando que realiza a vacinação do seu filho de 14 meses somente na rede pública. A criança teve pneumonia aos 12 meses de vida, tratada em regime hospitalar. No momento está bem, mas as vacinas indicadas para os 12 meses de vida foram realizadas há 3 dias. A mãe reclama que não foi realizada vacina contra varicela e solicita orientação do pediatra, informando que está disposta a pagar pela vacina. CASO CLÍNICO – ADOLESCENTE: Mariana de 11 anos de idade é atendida em ambulatório da Unimed-BH, sendo informado pela mãe que o objetivo da consulta é a atualização do esquema vacinal. Ela recebeu, exclusivamente, em serviço público de saúde todas as vacinas indicadas para idade até os 5 anos de idade. Não há relato de passado de doenças infecciosas no passado, exceto resfriado.

   

1) QUESTÃO PREMATURO: De acordo com as recomendações da SBP e SBIm, quanto a não realização de vacinação durante a internação é correto afirmar:

Não havia indicação de realização de vacinação durante a internação.

Deveria ter sido realizada a primeira dose contra hepatite B e administrado palivizumabe.

O paciente deveria ter recebido a primeira dose contra hepatite B, BCG e o palivizumabe

Estavam indicadas a primeira dose contra hepatite B e BCG.

2) QUESTÃO CRIANÇA: Para este caso a conduta correta do pediatra é:

Orientar a mãe que aguarde 30 dias e após este período, levar a criança para receber 01 dose da vacina tetraviral (contendo o componente varicela).Não há motivos para preocupação, pois a criança ficará protegida, inclusive contra as formas leves da doença.

Prescrever imediatamente a vacina varicela, para ser aplicada na rede privada e orientar a mãe para aguardar 30 dias, quando será realizada no serviço público a vacina tetraviral, ampliando desta forma a proteção contra as formas leves da doença.

Enviar relatório ao serviço público de saúde exigindo a imediata aplicação da vacina contra varicela e a realização da tetraviral, 30 dias após a dose da vacina varicela.

Informar à mãe que aos 15 meses de idade a criança poderá receber a vacina tetraviral (contendo o componente varicela) e que a conduta do serviço público de saúde está correta, de acordo com as recomendações do PNI. No entanto, com apenas 01 dose da vacina varicela a criança tem maior risco de apresentar formas leves da doença, podendo ser aplicada na rede privada outra dose da varicela, após 30 dias da tetraviral

3) QUESTÃO ADOLESCENTE: O esquema ideal indicado para a paciente é:

Hepatite A (02 doses, com intervalo de 6 meses entre elas); Febre Amarela; Varicela (01 dose); HPV quadrivalente (03 doses: 0, 2 e 6 meses), Influenza (01 dose anual no período de abril a maio). Reforço com a tríplice bacteriana acelular aos 15 anos de idade e a cada 10 anos com a dupla bacteriana.

Hepatite A (01 dose); Febre Amarela; Varicela (01 dose); Meningite quadrivalente – A,C,W135,Y (01 dose); HPV quadrivalente (03 doses: 0, 2 e 6 meses), Influenza (01 dose anual no período de abril a maio). Reforço com a dupla bacteriana (difteria, tétano) aos 15 anos de idade e a cada 10 anos com a dupla bacteriana.

Hepatite A (02 doses, com intervalo de 6 meses entre elas); Febre Amarela; Varicela (02 doses, com intervalo de 3 meses entre elas); Meningite quadrivalente – A,C,W135,Y (01 dose); HPV quadrivalente (03 doses: 0, 2 e 6 meses), Influenza (01 dose anual no período de abril a maio). Reforço com a tríplice bacteriana acelular aos 15 anos de idade (difteria, tétano e pertussis) e a cada 10 anos com a dupla bacteriana.

Hepatite A (02 doses, com intervalo de 2 meses entre elas); Febre Amarela; Varicela (02 doses, com intervalo de 30 dias entre elas); Meningite quadrivalente – A,C,W135,Y (01 dose); HPV quadrivalente (03 doses: 0, 1 e 3 meses), Influenza (01 dose anual no período de abril a maio). Reforço com a tríplice bacteriana acelular aos 15 anos de idade e a cada 10 anos com a dupla bacteriana.

Uma ou mais questões não foram respondidas. Para dar continuidade responda todas as questões.

Discussão do Caso

QUESTÃO  PREMATURO:

Os recém-nascidos prematuros e os pequenos para idade gestacional, com peso ao nascimento inferior a 2 kg, não devem receber a vacina contra a tuberculose (BCG) até que atinjam peso de 2 kg. Com relação à vacina hepatite B pode ocorrer redução na soroconversão nos menores de 2kg, quando administrada no momento do nascimento.No entanto ela está indicada e nesta situação deve-se realizar 4 doses da vacina, aos 0-1-2 e 6 meses de vida. O palivizumabe, anticorpo monoclonal específico contra o Vírus Sincicial Respiratório (VSR), está recomendado  para prematuros e crianças de maior risco. Deve ser aplicado nos meses de maior circulação do vírus, entre março e julho. Como a criança nasceu no mês de julho há indicação do seu uso.  

QUESTÃO  CRIANÇA:

A vacina varicela foi introduzida na rede pública de saúde pelo Ministério da Saúde com indicação de realização de apenas 01 dose, aos 15 meses de idade, se a criança tiver recebido a primeira dose de triviral dos 12 até os 15 meses de idade. A SBP e a SBIm indicam aos 12 meses, preferencialmente, a realização da vacina varicela e a tríplice viral separadamente, devido a tetra viral apresentar mais frequentemente quadro febril quando administrada na primeira dose. A SBP indica a segunda dose da varicela, na formulação tetra viral aos 15 meses de idade, a SBIM de 15 meses a 2 anos de idade.

ESQUEMA VACINAL ADOTADO COM A TRÍPLICE VIRAL, VARICELA E TETRA VIRAL DE ACORDO COM HISTÓRICO VACINAL DA CRIANÇA   Quadro C.Criança v2                         

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

QUESTÃO  ADOLESCENTE:

As vacinas indicadas para Mariana são a Hepatite A, que não é oferecida de rotina na rede pública de saúde. A partir de 2014, a recomendação da vacina febre amarela é de duas doses (aos 9 meses e aos 4 anos de idade). Levando-se em conta que a paciente atualmente está com 11 anos de idade, ela provavelmente recebeu apenas uma dose, por isso há indicação de um único reforço. Quanto à meningite deve ser realizada a quadrivalente (ACW135Y), devido aumento do risco de meningite na adolescência e para proteção dos sorotipos circulantes em nosso meio, apesar de predominar a meningite C, os outros sorotipos também são detectados. Também deve ser realizada a vacina HPV quadrivalente, que em 2015 para 9 a 11 anos e em 2016 para meninas com 9 anos de idade. A vacina influenza pode ser realizada anualmente no período de abril a maio. Como a perda de imunidade para pertussis, coqueluche, no período de em média 5 anos, o ideal é que o reforço da vacinação contra difteria e tétano seja realizado associado a pertussis, desta forma devendo ser aplicada a forma acelular.

No quadro abaixo estão descritas as vacinas indicadas para adolescentes imunocompetentes

ESQUEMA DE VACINAÇÃO PARA ADOLESCENTES INCUINDO VACINAS DISPONÍVEIS NA REDE PRIVADA  Quadro C.Adolescente

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fonte: Adaptado de: Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Programa Nacional de Imunizações. Calendário Nacional de Vacinação 2014.

Disponível em: http://portalsaude.saude.gov.br/index.php/o-ministerio/principal/leia-mais-o-ministerio/197-secretaria-svs/13600-calendario-nacional-de-vacinacao Ballalai, Isabela; Cunha, Juarez. Destaques da Nota Técnica do Ministério da Saúde sobre a vacina papilomavírus humano 6, 11, 16 e 18 (recombinante). Disponível em: http://www.sbim.org.br/noticias/destaques/campanha-ministerio-da-saude-amplia-a-oferta-da-vacina-hpv/ Sociedade Brasileira de Imunizações. Calendário de Vacinação do Adolescente. Disponível em http://www.sbim.org.br/wp-content/uploads/2015/03/calend-sbim-adolescente-11-19anos-2014-15-150306.pdf

 (A)    Nota Informativa no. 102/CGPNI/DEVIT/SVS/MS de 26 de agosto de 2014 – muda esquema de vacina para adolescentes e adultos. Se não vacinados anteriormente, administrar 01 dose e um único reforço 10 anos após a primeira dose . Considerar como vacinado por toda vida. (Para viagens internacionais o Certificado Internacional de Vacinação é aceito com apenas 1 dose da vacina realizada em qualquer época da vida)