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Radiografia de Tórax

Introdução ao Caso

Paciente do sexo masculino, 74 anos, internado há 3 dias por um quadro de tromboembolismo pulmonar (TEP). Sem queixas no momento.

1) Além do aumento da área cardíaca, qual achado radiológico pode ser visto na imagem:

Grande pneumotórax

Derrame pleural

Broncograma aéreo

Osteófitos marginais

Uma ou mais questões não foram respondidas. Para dar continuidade responda todas as questões.

Discussão do Caso

 

Análise da Imagem

Radiografia de tórax em perfil mostrando presença de múltiplos osteófitos marginais (bicos de papagaio) em coluna torácica, além de aumento da área cardíaca, particularmente do ventrículo direito.

caso57_2 - figura 2

 

Diagnóstico

A radiografia mostra múltiplas projeções ósseas junto aos platôs vertebrais superiores e inferiores, compatíveis com osteófitos marginais.

A presença de ar no espaço pleural (pneumotórax) torna nítida a margem da pleura visceral, o que não pode ser identificado no exame. A hipotransparência observada na área retrocardíaca (correspondente aos lobos pulmonares inferiores) é resultado da maior dose de RX necessária na radiografia em perfil, já que nas regiões mais anteriores e superiores da imagem, há grande sobreposição de estruturas (coração, vasos da base e parte dos braços que são elevados mas se projetam sobre o ápice do tórax).

O derrame pleural pode ser identificado como velamento dos seios costofrênicos. Neste exame, o seio costofrênico está livre.

O broncograma aéreo consiste em um brônquio ou bronquíolo aerado circundado por áreas de consolidação. Não pode ser observado na imagem.

Discussão do caso

A coluna vertebral possui um papel fundamental na sustentação do corpo e por isso está sujeita a uma série de forças compressivas. As vértebras são capazes de modificar sua estrutura quando essas forças excedem a capacidade de resistência do osso, formando protuberâncias ósseas chamadas de osteófitos (popularmente conhecidos como bico de papagaio).

Nas vértebras, existem dois tipos de osteófitos marginais. Um se forma para a proteção do espaço articular e o outro se forma nas inserções capsulares das extremidades das articulações. Em ambos os casos, o crescimento do osteófito segue as linhas de força mecânicas atuantes.

É importante lembrar a relação entre a formação de osteófitos e o envelhecimento, tendo em vista as alterações mecânicas e o desgaste que acontecem ao longo da vida. Osteófitos também têm um papel importante na sintomatologia da osteoartrite de coluna, já que podem comprometer o canal espinhal ou as raízes nervosas e gerar dores acentuadas.

No caso desse paciente, foram um achado casual e o paciente não apresentava nenhuma sintomatologia relacionada.

Aspectos relevantes

– Osteófitos marginais funcionam como um mecanismo de adaptação para proteção contra forças que excedem a capacidade de resistência do osso
– A formação de osteófitos está relacionada com o envelhecimento e a osteoatrite
– Podem ser assintomáticos ou comprometer estruturas nervosas, causando dor intensa

Referências

– PM Zavanela, R Riente, V Moreira et al. Incidência de osteófitos na coluna vertebral. Rev Med (São Paulo). 2008 abr.-jun.;87(2):148-53.

– UpToDate: Clinical Manifestations of Osetoarthritis (link)

Responsável

Manuel Schütze – Acadêmico do 12º período de Medicina na FM-UFMG. E-mail: mschutze[arroba]gmail.com

Orientador

João Gabriel Marques Fonseca – Professor Adjunto do Departamento de Clínica Médica da FM-UFMG. E-mail: joaogabriel[arroba]medicina.ufmg.br

Revisores

Fabiana Resende e Rafael Tavares